Estamos esperando o som...leia-se: esperando o equipamento de som com o qual devemos fazer o show a partir das 22h.
Mas assim que eu disse isso (leia-se: disse a mim mesmo, antes de escrever a vocês, essa auto-psicánalise surrealista é efeito marítimo) logo em seguida a pensar que estamos esperando o som, algo estranho me ‘soou’. Que tanto esperamos pra ouvir algo se o mar canta incessante e incansavelmente um som que ressoa em nossos ouvidos até chegar o ponto de nos esquecermos que o mar tem um segredo sutil - e discreto em sua grandeza- de nos tocar a visão, o olfato, a audição, o paladar, o tato. Sem percebermos estamos embriagados por ele, navegados por ele e aí seguimos a onda que ele desejar.
Na maioria dos casos, a percepção dessa ‘consciência do mar’ – chamemos assim esse efeito que arrebata todos os nossos sentidos – na maior parte das vezes isso ocorre com o casamento entre consciência e inconsciência. Na verdade, não consigo exprimir exatamente o que eu senti, pensando agora em frente ao teclado, acredito ter sentido o que os orientais denominam de satori. Um momento branco e silencioso, iluminado e sussurento. De repente, não ouvia mais o marulhar das ondas, o chamado do mar, não enxergava mais horizontes marítimos...agora o céu era o mar, o som era o sol...
Se ler este comentário, diga ao guitarrista mais lindo desse mundo que eu o amo, por favor! rs
ResponderExcluir"Ó mar salgado, quanto do teu sal
ResponderExcluirSão lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!" (F.P.)
Ah, intrépido (e bashônico) amigo! Boa sorte em vossa própria travessia pelos "mares nunca dantes" - da música, da poesia e da vida!
Uma brevíssima (e inconstante) reflexão sobre o mar (de long, long, time a go) pode ser encontrada aqui: http://xadrezdepressao.blogspot.com/2007/05/irt-santos-2007-aberto-do-brasil.html
Aguardamos o próximo capítulo do diário de bordo!
abraço,
Leonardus Vivaldum est