quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

28/12/10 – Outeiro da brisas, Praia do espelho

Primeiro show na Bahia, dividindo o palco com Nasi, muita expectativa e nervosismo para a estreia.

Agora o verbo se solta um pouco mais, a tensão inicial aliviou um pouco, mas permanece num grau, mas ameno e suportável para manter a força dúbia que pedem um show de rock e os grandes poemas.

 Saímos do Arraial d’ajuda a tarde em direção a uma surpresa: não tínhamos a mínima ideia para qual local iríamos – mais tarde a gente descobriria que nada sabíamos mesmo depois de chegado ao destino- depois de muito chão…de muito chão! De quase 40 km de pura e poeirenta terra por uma pista estreita e com um certo grau de periculosidade, alcançamos o almejado desvirginador palco em que iríamos redescobrir algumas nuances de nossa energia vital: o rock’n roll com cheiro de sal e muito quente, o que no baianês quer dizer muito apimentado. Uma surpresa como um tapa na cara de qualquer pessoa desavisada; não poderia imaginar a força que o rock tem por aqui.

Após mais momentos de apertos no carro e no coração, com o pôr do sol, a penumbra alcançando todas as frestas e falésias, o desconhecimento de tudo era o único senhor de nossas posses. Chegamos ao bar que tocaríamos e ali ficamos, sem saber exatamente o que tinha ao nosso redor, pois a noite já tinha chegado antes de olharmos em volta.

O único mundo que existia era aquele onde estava montado o palco, com algumas poucas luzes descrevendo o ambiente ao redor, pois o que sobrava era a escuridão da noite contra a energia elétrica que não contava com postes de iluminação, mas apenas alguns abajures decorativos com velas colocados somente na entrada do bar aonde tocaríamos dali a pouco.
Isso criava uma atmosfera mística, pois como já disse não conhecíamos nada da região, só o bar, não tínhamos visto muitas pessoas e com a vinda da noite não tínhamos a menor idéia pra que lado era o que; pessoas surgiam de diferentes lados vindas do escuro, como se tivessem surgido dali.

Eu esperava no camarim, bastante tenso devido a extrema ansiedade, quando me chegou a notícia de que um casseta (Cláudio Manoel) estava no bar e consequentemente iria acompanhar nosso show. Fato que contribui para o aumento da expectativa, que agora era mais aquele tipo de nervosismo conformado com a situação do acontecimento iminente inevitável e intransferível - era uma carga que eu deveria carregar, mas uma carga que eu queria pra vida toda, não me pesava.. me dava mais força.

Os primeiros 30 segundos de show são os mais tensos, depois disso há apenas atenção aos detalhes e depois o esquecimento quase que completo da consciência e um estado de descontrole ordenado.

Já esta provado que um show não se faz somente com uma excelente banda somado a um repertorio eclético e coerente; quem faz a maior  parte do show é o publico e a energia que está em alguma parte desse estado não permite que alguém fique parado com alguma canção, ela vai tocar em algum lugar...às vezes se externando para os movimentos corporais, as vezes nem tanto, mas sempre mexendo com as pessoas.

Não sei qual foi a maior emoção, se tocar junto com Nasi, ou ter um público animado e irreverente contando ainda com a ilustre presença de Cláudio Manoel dono de um humor tão natural e espontâneo e uma energia tão elevada que os 220 wats de energia que optamos por usar em nossos equipamentos eram simplesmente os coadjuvantes da história.

Isso ficou comprovado quando puxei as primeiras notas de Pais e Filhos e sem acompanhamento nenhum, a não ser as vozes da galera a música seguiu, sem perder o ritmo, até ao refrão quando entramos sem poder resistir mais tempo com todos os instrumentos destruindo nossos dedos e cordas vocais para construir com isso uma comunhão maravilhosa com todos que estavam ali.

O show foi muito foda!!! O publico foi muito foda!!! A energia baiana é muito foda!!!

O verbo está solto, para sorte do rock’n roll!!

27/12 - Chegada Arraial D’ajuda

Saímos de Governador Valadares às 7h, já tarde por causa da chuva e da estrada perigosa - o que esqueci de mencionar no post anterior, a Br-381 que começamos a denominar com carinho de Rodovia Exu Caveira, batizada assim por Felipe Poch, que os orixás o perdoem. – estrada perigosa como na maior parte de Minas seguimos caminho contornando o estado mineiro ainda por 200km ainda envoltos por cadeias de morros e montes e belas pinturas.

Assim que entramos na Bahia uma mudança sutil , mas considerável, na paisagem denunciava que ali viviam outras vidas, já não haviam belos montes (insisto em dizer morros ou montes e não montanhas porque não há no Brasil montanhas, consultem os livros de geografia, eu já consultei uma geógrafa linda, o que me deu certeza da segurança de informação).

De Minas restava a grande riqueza das alturas, mas na Bahia começavam a aparecer rostos mais sofridos de um “povo feliz” que vive a seu próprio tempo, ao tempo mais natural possível, sem se importar com as imposições do relógio.
É difícil descrever qualquer coisa, é difícil escrever qualquer coisa meu interior se recusa a retirar da consciência qualquer imagem das minhas retinas um pouco fatigadas.

Após mais 6h de viagem chegamos ao nosso destino: Arraial d’ajuda, aonde ficaremos hospedados. Aqui a maior parte das pessoas são turistas que virão e irão com velocidade virtual, a realidade não esta mais aqui, pra isso criaram um reduto surreal de bares e luzes amplificadas e esbanjamento de grana nos mais diversos sentidos: nos direitos e nos muito tortos. Chegam aqui para esquecerem-se.

Mas é bonito demais, paradisíaco. Pena que toda essa beleza não consiga esconder nossa cara amassada e nossos sorrisos clareados artificialmente.

26/12 - 2 mil km

Não queria começar as postagens daqui com uma frase negativa, porque a situação é de extrema felicidade, mas esta situação se deve a quebra de um compromisso que eu havia firmado com quem quer que seja que me esteja lendo, muito provavelmente meus parentes (só os próximos) e alguns amigos.
Não consegui fazer as postagens diárias por dois motivos: não consegui rede para o not (que também não é meu) e a net de lan aqui é um pouco cara e muito ruim.

Duas negativas seguidas: leiam-nas como duas desculpas pela quebra de palavra, que não é de meu feitio.


Afinal conheci sua magia, suas sombras tão bem desenhadas na nevoa, suas curvas tão bem aceitas na paisagem, suas cores tão verdes e azuis e, sobretudo, cinza. A cor cinza que tanto diz sobre você, Minas Gerais, sua simplicidade exuberante, sua timidez dos grandes talentos, sua humildade que não consegue disfarçar sua beleza dos deuses.

Não por acaso são os nomes que receberam suas cidades: Divinópolis, com um anel de montes e morros que convidam à contemplação e ao vislumbramento, levando-nos ao delírio de lembrar o anel caucasiano,com já disse um grande poeta de Minas, cadeia de montanhas aonde ficou acorrentado aquele que nos trouxe a luz da sabedoria e o calor do fogo, Prometeu.; as quedas d’água de Paraíso Perdido são quadros a parte, daqueles que exigem lugar especial e uma sala exclusiva numa grande exposição de arte.

Passamos depois por Belo Horizonte que me pareceu uma cidade interessante e com grandes contrastes de extremos o que é algo comum pelo nosso país, mas não sei o que foi que me chamou pra entrar por aquelas ruas...alguma necessidade anterior à consciência.
Passamos pela pequena Itabira, não sei se os muitos carros que passam por ali sentem a emoção de respirarem por um segundo um ar tão nobre, o ar que trouxe às nossas letras o grande poeta das sete faces. Eu não cheguei a ver muita coisa da cidade, mas ouvi o som de aço ressoando como sino das pedras daquelas ruas.
Depois dessas cidades com nomes instigantes, passamos pela região que segundo as placas era de pedras preciosas. Esses locais eram remotos, distantes uns dos outros, mas já tomados por degradações humanas. Fiquei pensando quais seriam as pedras preciosas de Minas:se eram as paisagens grandiosas, ou as palavras de grandes homens como Drummond e Guimarães? Por que seriam preciosas algumas pedras nas quais a única diferença era terem alguns brilhos que alguém decidiu serem dotadas de algum valor?

Muitas paisagens e uma confirmação: as pedras de Minas estão nos nossos caminhos – de todos os brasileiros - e sempre estarão, tanto nos livros que são algumas vezes mais reais que a própria vida quanto à olho nu  nas curvas de uma estrada perigosa, inesgotável que termina logo ali...

Depois de 12 horas de viagem paramos em Governador Valadares para pernoitar.


sábado, 25 de dezembro de 2010

Justificativas

A idéia deste blog nasceu com a vontade de comunicar.

Na dúvida da preguiça, leiam o que está destacado em azul, sempre significa um sinal de relevância alerta aos olhos dormentes. Apesar de que aqui seja apenas um sinal de precipitação e adiantamento, em outras palavras: ir direto ao assunto, sem preliminares – por isso, talvez, o prazer não seja comparado à intensidade da leitura completa.

A afirmação com a qual iniciei os dias de entrega ao teclado e à tela deste computador talvez seja muito óbvia, já que a vontade de comunicar está implícita em qualquer ato de comunicação, mas não é sempre assim – existem blogs impossíveis de se entender e, principalmente, comunicar-se com o que acontece nas paredes virtuais do espaço blogueiro.
É que aqui, o comunicar está em primeira e última instâncias, não é pretendido senão outra coisa, no sentido mais primitivo da palavra: pôr em comum, partilhar com o outro.
Talvez essa alteridade soe um pouco exagerada, visto que nos tempos atuais o mundo circule em colisões egocêntricas tão imensas e propensas ao saber-e-querer-saber-só-do-próprio-umbigo que quando vemos alguma ação em favor do outro temos a impressão de que é mais uma estratégia de marketing – e infelizmente, muitas vezes, o é- para favorecer o Eu do caridoso em questão.

Esses são tempos de indulgências, de comprar lugares no céu; mas como a ciência GAIA, nova dona de tudo, teima em tentar provar, por via das dúvidas, o céu que é escolhido fica cá embaixo mesmo e não mais nos topos dos Olimpos homéricos, nem nos astrais luzidos céus dantescos.

Enfim, viram como se é possível não comunicar, comunicando?
Fiquei em torno de pensamentos e reflexões difusas, fazendo brincadeiras pretensiosas com a língua portuguesa e não disse o porquê verdadeiro desse blog.

Vamo lá: esse pode ser considerado outro começo, quem tiver preguiça de ler ou se o problema for a falta de tempo mesmo, afinal nossos dias, horas, minutos são contadíssimos....temos mais o que fazer!! Pode começar por aqui:


A intenção desse blog é postar a todo dia: informações, depoimentos, vídeos e fotos da turnê pela Bahia que ocorrerá entre os dias 27/12/2010 - 14/01/2011.
Serão quase 15 shows pelo litoral baiano - região brasileira da qual conhecemos só as praias e muito pouco da riquíssima cultura.
Nessa belíssima peregrinação (digo peregrinação, pois iremos por meio de transporte terrestre, não seremos simples viajantes, faremos parte da paisagem!). Como dizia, nesse ato de fé musical contaremos com a ilustre presença e participação de NASI, figura que dispensa apresentações, nosso irmão nessa empreitada e nosso guru musical que tem nos ajudado muito nos caminhos tortuosos, ou sincopados, da música.
É isso, aguardem a primeira postagem oficial que deverá mostrar o percurso da viagem...na segunda postagem já estarão nos iluminando os holofotes de algum palco e, claro, o sol, energia e areia das praias baianas.
PS: se conseguirmos conexão via internet, pois pelo que ouvi dizer os Orixás só permitem conexões espirituais.

até mais ver,
LM