segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Dias de marasmo

É complicado manter-se disciplinado para a escrita diária num blog, ainda mais em situações que posso chamar adversas: longe de casa, sem um pc próprio, nem net boa e barata.
Por isso ando com um caderno de capa vermelha que já era meu companheiro de anotações displicentes de poesia há algum tempo e agora se tornou meu querido Sancho Pança dessa viagem quase quixotesca, amigo fiel que me lembra de impressões que eu acredito serem de relevância para o curso dessa turnê e de minha vida.
Depois da viagem e do show do dia 28 tivemos dois dias de certa calmaria. Caminhamos, meu pai e eu, pela praia do espelho (um dos cartões postais do Brasil) e notamos que ali é possível encontrar algum remédio contra a badalação pessoal. Sem muitas luzes - tirando as de alguns flashs, mas que também não são muitas- o que resta de luz é a que irradia do astro rei e reflete nas águas do mar, tingindo-o de colorações verde-azuladas que, sem qualquer 'luz' de dúvida, inspiraram à mimese das luzes florescentes e dos neons. Corais, falésias, escarpas, areia, mar, mar, mar, vento e olhos espremidos que não conseguem vencer a força do impossível sol que tosta a costa e as costas das praias baianas.
Nos domínios da praia do espelho não se deve confiar em aparências, todos os sentidos juntos não conseguem se desfazer de nossas ilusões.
E o crer pra ver não tem tanta relevância, pois como já nos sussurou Drummond : "os olhos são pequenos demais para ver".

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