Não queria começar as postagens daqui com uma frase negativa, porque a situação é de extrema felicidade, mas esta situação se deve a quebra de um compromisso que eu havia firmado com quem quer que seja que me esteja lendo, muito provavelmente meus parentes (só os próximos) e alguns amigos.
Não consegui fazer as postagens diárias por dois motivos: não consegui rede para o not (que também não é meu) e a net de lan aqui é um pouco cara e muito ruim.
Duas negativas seguidas: leiam-nas como duas desculpas pela quebra de palavra, que não é de meu feitio.
Afinal conheci sua magia, suas sombras tão bem desenhadas na nevoa, suas curvas tão bem aceitas na paisagem, suas cores tão verdes e azuis e, sobretudo, cinza. A cor cinza que tanto diz sobre você, Minas Gerais, sua simplicidade exuberante, sua timidez dos grandes talentos, sua humildade que não consegue disfarçar sua beleza dos deuses.
Não por acaso são os nomes que receberam suas cidades: Divinópolis, com um anel de montes e morros que convidam à contemplação e ao vislumbramento, levando-nos ao delírio de lembrar o anel caucasiano,com já disse um grande poeta de Minas, cadeia de montanhas aonde ficou acorrentado aquele que nos trouxe a luz da sabedoria e o calor do fogo, Prometeu.; as quedas d’água de Paraíso Perdido são quadros a parte, daqueles que exigem lugar especial e uma sala exclusiva numa grande exposição de arte.
Passamos depois por Belo Horizonte que me pareceu uma cidade interessante e com grandes contrastes de extremos o que é algo comum pelo nosso país, mas não sei o que foi que me chamou pra entrar por aquelas ruas...alguma necessidade anterior à consciência.
Passamos pela pequena Itabira, não sei se os muitos carros que passam por ali sentem a emoção de respirarem por um segundo um ar tão nobre, o ar que trouxe às nossas letras o grande poeta das sete faces. Eu não cheguei a ver muita coisa da cidade, mas ouvi o som de aço ressoando como sino das pedras daquelas ruas.
Depois dessas cidades com nomes instigantes, passamos pela região que segundo as placas era de pedras preciosas. Esses locais eram remotos, distantes uns dos outros, mas já tomados por degradações humanas. Fiquei pensando quais seriam as pedras preciosas de Minas:se eram as paisagens grandiosas, ou as palavras de grandes homens como Drummond e Guimarães? Por que seriam preciosas algumas pedras nas quais a única diferença era terem alguns brilhos que alguém decidiu serem dotadas de algum valor?
Muitas paisagens e uma confirmação: as pedras de Minas estão nos nossos caminhos – de todos os brasileiros - e sempre estarão, tanto nos livros que são algumas vezes mais reais que a própria vida quanto à olho nu nas curvas de uma estrada perigosa, inesgotável que termina logo ali...
Depois de 12 horas de viagem paramos em Governador Valadares para pernoitar.
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